Stalingrad Lovers

Primeiro filme de ficção numa jovem carreira de documentário, “Stalingrad Lovers”, de Fleur Albert, foca-se, precisamente nas personagens verdadeiras do bairro de Stalingrad em Paris. Um submundo controlado pelo tráfico de droga e que entrega a vida de marginais verdadeiros aos ecos perdidos do seu romanesco tóxico. Todos eles – e nós – tocado pela mesma realidade: a de que o destino das nossas vidas será invariavelmente o mesmo.

Sunny Afternoon

Um olhar sobre as diferentes características e pontos de encontro entre o cinema de avant-garde e o videoclip musical.

Uso Justo

O melodrama mexicano dos anos 50 serve de experiência para uma reconstrução narrativa.

While We’re Young

Inspirado por “Solness, o Construtor”, peça de Ibsen, Noah Baumbach (um dos herdeiros de Whit Stillman, herói independente do IndieLisboa 2015) cria a história de um casal de meia-idade (Ben Stiller e Naomi Watts) que vê a sua vida contagiada pelo encontro com um jovem casal na casa dos vinte (Adam Driver – actor da série “Girls” que Baumbach levou para “Frances Ha” – e Amanda Seyfried), oferecendo, de novo, o retrato de uma classe urbana e artística de traços disfuncionais, em que o peso da idade (depois da entrada na idade adulta do seu filme anterior) serve para uma nova comédia de costumes e de tempos com Nova Iorque em pano de fundo (e banda-sonora de James Murphy).

Om de wereld in 50 concerten

Um dos maiores nomes do cinema documental – Heddy Honigmann -, junta-se a uma das orquestras mais respeitadas do mundo – a Orquestra Real do Concertgebouw da Holanda. Numa viagem por vários continentes, Honigmann junta-se aos músicos da orquestra, aos espectadores que os ouvem, e a quem descobre, pela primeira vez, a influência da música sobre os seus sentidos. Mais do que um percurso de bastidores, “Around the World in 50 Concerts” entra pela vida das pessoas e revela a maneira como a música, perante as opressões políticas e as nossas opressões interiores, torna-se na via sagrada dos sentidos para concretizar o elo comum às nossas vidas: a busca pela felicidade.

Cerný Petr

A segunda longa metragem de Milos Forman é típica das Novas Vagas da Europa Central, de que Forman é um representante ilustre. Forman recusa as alegorias, contrariamente a outros cineastas dos países comunistas, mas opta por uma narrativa “desconstruída”, onde as cenas não se resolvem de modo tradicional. Em O ÁS DE ESPADAS, como no seu filme seguinte, OS AMORES DE UMA LOIRA, Forman acompanha personagens jovens, outra caraterística das novas vagas. No caso deste filme, o protagonista é um adolescente canhestro e tímido, em plena educação sentimental e profissional. (Cinemateca Portuguesa)

Les évangile d’anasyrma

“Gospel of Anasyrma” traz-nos uma história de amor entre um jovem adulto e um transgénero nos subúrbios de Tbilisi, na Geórgia.

Aqui, em Lisboa

Em 2013, para celebrar o seu décimo aniversário, o IndieLisboa tinha convidado quatro realizadores a filmarem em Lisboa: Dominga Sotomayor e Marie Losier (vencedoras da Competição Internacional com “De Jueves a Domingo”, em 2012, e “The Ballad of Genesis and Lady Jaye”, em 2011, respectivamente), e Denis Côté e Gabriel Abrantes, duas presenças recorrentes do festival. “Aqui, em Lisboa” é o surpreendente resultado – quatro autores com quatro visões diferentes da cidade de Lisboa, passando pelos registos da ficção, do documentário, da comédia ou do fantástico. Mas com o traço comum que espelha o festival que os acolhe: a independência.

Kurz davor ist es passiert

“Kurz davor ist es passiert” redefine o dispositivo do documentário. Ao criar um filme sobre o tráfico humano, Anja Salomonowitz opta, em vez de incluir a participação das suas verdadeiras vítimas no filme, por fazer ouvir as suas histórias pela boca (e pela vida) de outras pessoas – pessoas aparentemente estranhas às suas situações mas, pela sua vida quotidiana e profissional, com as suas pontes para as vidas secretas desses rostos nunca revelados.

Über die jahre

Três horas reúnem dez anos de vida: uma localidade, na Áustria, que gira à volta de uma fábrica responsável pelo seu sustento. Com o passar dos anos, a sua população vê-se mergulhada no esquecimento e no desemprego: gerações dedicadas a um mesmo trabalho vivem agora num mar de silêncio. “Über die jahre” dá-lhes o tempo de seguir e pensar novos rumos, caminhos escolhidos que buscam um novo sentido para as suas vidas, mesmo que se sinta ser tarde para isso. Novas pessoas crescem, outras vivem na memória, uma paisagem e as suas emoções transfiguram-se. O cinema torna-se no lugar constante da passagem do tempo.

Les barbares

Em “Les barbares”, o confronto entre a classe política e todas as outras.

A Arte da Luz Tem 20.000 Anos

Se o cinema ainda é descrito como uma arte jovem (por ter pouco mais de cem anos), as suas origens – a de contar histórias pela arte da luz e das sombras – vêm quase desde o início da existência humana. Luzes e sombras são uma mesma marca do cinema de João Botelho, buscando, desde sempre, um encontro com a pintura e o poder da sua encenação. Em “A Arte da Luz tem 20.000 anos”, é esse cinema e o seu traço que encontra correspondência no Vale do Coa, lugar máximo de liberdade e expressão artística da paisagem portuguesa e mundial.

Lumikko

A junção de várias formas e géneros, neste filme, levam-nos para uma reflexão sobre o tempo e o lugar do amor nas relações e no mundo.

O Medo à Espreita

Depois de “Lisboa Domiciliária”, estreado nas nossas salas em 2009, Marta Pessoa filma outras memórias secretas: a de cidadãos que viveram, até à queda do Estado Novo, uma vida de perseguição pessoal e política. Ao longo de toda a sua existência, uma das piores faces da ditadura movia-se por passos secretos, informações ocultas, e perseguições, no dia-a-dia, a pessoas suspeitas de viverem contra o regime. “O Medo à Espreita” é o retrato, assim, de pessoas que viveram diariamente debaixo da sombra dos informadores da PIDE/DGS e da sua tortura. Mas é também o retrato de um país onde o instrumento da denúncia cresceu para além dos círculos políticos para se instalar, sorrateiramente, no nosso quotidiano.

La Teta Asustada

Esta segunda longa metragem da jovem realizadora peruana Claudia Llosa (depois de MADEINUSA, de 2006) recebeu o grande prémio no último Festival de Berlim, o Urso de Ouro, projetando internacionalmente a sua autora e argumentista. O filme mistura antigas tradições culturais andinas com a brutalidade causada pelos movimentos de guerrilha recentes e a sua repressão. A protagonista, cuja mãe fora violada, herdou no leite materno (segundo uma tradição inca, o que explica o título) o medo à vida. Mas depois da morte da mãe, a mulher saberá lutar. Um filme de grande beleza. (Cinemateca Portuguesa)

Capitão Falcão

Em 1968, várias ameaças parecem cercar o regime que salvou Portugal da bancarrota: o Estado Novo. Entre elas, grupos de comunistas, feministas, e os chamados “Capitães de Abril” conspiram contra António de Oliveira Salazar e os seus princípios nacionalistas. A autoridade do Estado já não chega para proteger os portugueses. Nasce então o super-herói português por excelência para salvar Portugal de todos os seus males: Capitão Falcão (e o seu sidekick Puto Perdiz). O resto da história é conhecida. Novo trabalho de João Leitão (“Um Mundo Catita”, 2008) com uma inesquecível participação de Gonçalo Waddington.

Force majeure

Uma “força maior” poderá tanto levar ao fim de um contrato entre duas partes como ao inevitável encontro com o que se esconde numa relação de longos anos. No seio de uma família, no espaço de um hotel e da uniforme paisagem da neve, o impulso de tudo poder terminar vive lado a lado com a segurança de se ter uma vida feita dentro dela. Ruben Östlund inspira-se na mise-en-scène de Kubrick e no olhar buñueliano sobre as diferenças de classes para desfazer as imagens feitas das nossas relações – amorosas ou profissionais – dentro da clausura repetitiva das férias. A força maior deste filme é de talvez não conseguirmos sair dele. Nas palavras de Leonard Cohen: “I stepped into an avalanche, it covered up my soul”.