Um homem viaja pela Europa. Pouco tempo depois, as tropas americanas entram no palco de guerra no Vietname.
Destination Finale baeia-se num filme amador 8mm, rodado em 1964, descoberto em Saigão em 2005 e montado por Widmann com um sentido de drama.
Secção: Competição Internacional
Retrato da activista política da Irlanda do Norte Bernadette Devlin. Devlin tornou-se activista em finais dos anos 1960 e esteve seriamente envolvida na Batalha de Bogside em 1969.
Enquanto Benjamin sonha obsessivamente com uma fuga para a América do Sul, a mãe dele planeia a sua indesejada festa de aniversário. Mas por vezes as melhores festas são as que não se querem.
Numa vila rural no sul da Suécia anoitece e, a caminho de casa, um barulho inesperado deixa alguém desconfortável. Será o cão do vizinho ou um lobo? No escuro é fácil confundir o amigável com o potencialmente perigoso. O som provoca a dúvida e as imagens criam uma atmosfera enigmática que fala, mas não se explica. (Ágata Pinho)
Através de uma voz monocórdica, é contada a história de dois irmãos durante uma festa Eremwin, na Nigéria. A animação parte de uma maqueta que reproduz uma casa, para passar a uma estrutura geométrica com a imagem a negativo, durante a fuga trágica dos dois rapazes. Com uma secura hospitalar, este filme minimalista e sombrio desperta consciências. (Miguel Valverde)
Quando Delia, uma adolescente da classe trabalhadora, ganha um carro de luxo numa campanha promocional, viaja com os pais até Bucareste para a rodagem de um filme publicitário em que tem que agradecer o carro ao patrocinador. Quando as filmagens começam, o carro surge como objecto e catalisador de uma explosão absurda de desejo, valores e vontade entre a pobreza dos pais de Delia e a juventude dela.
O mundo inteiro está em Chungking Mansions (Hong Kong). Talvez seja o edifício mais cosmopolita à face da terra e é uma espécie de paraíso de multiculturalismo e globalização de segunda, onde ninguém é proprietário e toda a gente está em casa.
Em Kinshasa, uma série de personagens entrelaça-se em torno dos infortúnios de um taxista não-oficial. A animação utiliza materiais reciclados e é exactamente isso que o filme retrata: vemos a ginástica extraordinária de recursos que os habitantes têm que fazer simplesmente para sobreviver dia após dia. (Karim Shimsal)
Ida Nordberg, de 5 anos, atravessa todos os dias o mar gelado que separa a sua casa, na pequena ilha de Kyrkogerdso, situada no Mar Báltico, da escola. As suas pequenas botas conquistam pouco a pouco a neve, à medida que ela trava com a paisagem avassaladora, de uma vez só reino encantado e prisão, uma luta silenciosa. (Ágata Pinho)
Num lago rodeado de edifícios, um homem constroi um barco. O sonho de uma viagem impossível, na livre procura das memórias de um passado eterno. Uma reflexão sobre o efeito da metamorfose do tempo e do espaço na vida de um homem e na sua feliz morte.
“Queria mel, o melhor que tem.” “Estamos sem mel, um carro verde levou-o todo.” “Obrigado.” “Não tem de quê.” “Bonito casaco.” / O diálogo acima, por estranho que pareça, é um exame de condução ‚ quanto mais rápido e mais preciso se for a dizer as frases, mais hipóteses se tem de ser escolhido como condutor para entregar frascos de mel. O cinema da falsa lógica está a definir a estética cinematográfica grega. Depois de Dogtooth e Alps, Efthymis Fillipou co-escreve com o realizador de L a grotesca comédia sobre o homem que é rejeitado como condutor só porque se esqueceu de avaliar a qualidade do mel. Se o mundo que nos rodeia é incompreensível, quanto mais em crise estamos mais encurralados nos sentimos. No nosso caso, o protagonista vive literalmente atrás do volante ‚ é aí que come, vê os filhos, celebra o seu aniversário. Vazio, insignificância, ausência de emoção e repetição constituem L, com referências óbvias a Samuel Beckett, onde as personagens principais, quais ursos, estão obcecadas com mel. (Nina Veligradi)
Posokoni é a maior mina de estanho da Bolívia. Os milhares de trabalhadores que recebe diariamente desbravam, de lanterna na mão, o escuro e o silêncio. A câmara segue a luz que devora o negro ao fundo do túnel. Quando se dá um acidente, a escuridão fica para trás e o exterior espera-os para uma espécie de libertação. (Ágata Pinho)
Mauro tem trinta anos, Alemão tem 13. Mauro e Alemão são prisioneiros no interior de uma cidade de onde é impossível saír. Uma história sobre a violência e a libertação através de uma viagem subterrânea.
Cruzamento entre uma road-trip em Portugal e uma história de amor de Verão. É a junção de uma linha narrativa mais filosófica e poética com elementos factuais e pessoais. Julian é aqui representado como o bom selvagem de Rousseau em que a natureza é o seu ambiente natural. Julian é como Adão, a personificação de vários mitos criados pela espécie humana. (António da Silva)
Ele gosta dela. Ela gosta do rapaz que está a jogar à bola no parque e a quem guarda a mochila. Enquanto espera, balança-se de cabeça para baixo num carrossel. Ela vê o mundo ao contrário, ele tenta argumentar o seu caso de forma violenta e o filme alimenta-se da tensão entre os dois. Amanhã, se se encontrarem outra vez, pode ser que ela mude ideias. (Ágata Pinho)
Trata-se de um drama onde paixão, altruísmo, crime e racismo escondido se cruzam. A escorregadia percepção da personagem protagonista é captada nas composições perturbantes mas divertidas e na elaboração dos diálogos que torna o aparente realismo de faca e alguidar num psico-realismo existencial.
Um filme poético e subtil sobre a tragédia e a reconciliação no Delta do Mississipi. Lawrence e o irmão vivem numa pequena cidade ao lado do pequeno James e de Marlee, a mãe dele. Ela é mãe solteira e luta por uma vida para si e para o filho. James vagueia e mete-se em sarilhos na paisagem rural. A morte do irmão provoca um efeito em cadeia nas suas vidas. Marlee confronta Lawrence aproveitando a oportunidade para tomar conta da propriedade, mas a esperança surge quando ela o ajuda a reabrir a loja de conveniência dele. Os três aprendem gradualmente a ultrapassar as suas questões e a lidar com a vida – como uma família.
“Águas Verdes” é o nome do resort onde Juan tenciona passar as férias de Verão com a mulher e os dois filhos. Mas as coisas correm mal. A tentação sexual está por todo o lado. Juan consome-se temendo ser afastado pela família e de ser incapaz de proteger a filha dos perigos latentes. Freudiana, a mulher explica-lhe que os seus medos não são mais do que uma projecção do seu desejo de sexo com outra mulher, e incita-o a procurar um terapeuta. Juan ignora-a. A câmara partilha a perspectiva grotesca e neurótica de Juan, e como no cinema de suspense clássico, a banda musical evoca a vida interior de um paranóico capaz de tudo.