Uma noite de fim de semana na vida de Juan é usada como desculpa para o encontro com um universo de homens que parecem reduzidos, não sem frustração, a meros espectadores das suas próprias vidas.
Secção: Competição Internacional
Durante vários Verões, PV Lehtinen filmou os frequentadores de uma praia perto de Helsínquia. Uma a uma ou em grupos, estas pessoas são atraídas para o interior da objetiva, trazendo as suas histórias silenciosas, os seus pensamentos e mesmo as suas origens longínquas. (Possidónio Cachapa)
Alguns projetos científicos necessitam de formas especiais de recolher dados e de se financiar. De que forma pode um parque de diversões ajudar uma investigação de neurociência? Bom, digamos que há altos e baixos neste tipo de cooperação. Um filme muito cómico sobre questões muito sérias. (Possidónio Cachapa)
Desapareceu uma rapariga de 18 anos, Joy. A outra rapariga, Helen, é pedido que a “interprete” numa reconstrução policial que siga o rasto dos últimos movimentos conhecidos de Joy. Joy tinha tudo. Uma família adorável, um namorado, um futuro brilhante. Orfã, Helen passou toda a vida em instituições e nunca se aproximou de ninguém. A pouco e pouco, Helen mergulha no papel, visitando pessoas e lugares que Joy conhecia. Cuidadosa e tranquilamente insinua-se na vida da rapariga perdida. Está Helen a tentar descobrir o que aconteceu a Joy no dia fatídico, ou à procura da sua própria identidade?
A tragédia de um homem perseguido pela atracção que sente pela filha. Será imoral? Para alguns sim. Será ilegal? Se não for expressado, não. Stilleben pode bem ser um dos filmes mais tristes e ao mesmo tempo dos mais engraçados do ano, constituindo a simples definição de tragédia. Resumindo: se o teu nome não é Lolita e o teu padrasto é o teu pai biológico, pode ser embaraçoso. Quão proibido é um pai dormir com prostitutas e dar-lhes o nome da filha? Ou masturbar-se a olhar para fotografias dela em criança? Um objecto óbvio para ele, incapaz de se relacionar com ela de forma emocional, despoletou uma paixão que atravessa a vida familiar. Uma tragédia repleta de vergonha e da culpa que rodeia a existência humana. (Nina Veligradi)
Um filme sobre o cerco e o consentimento passivo (ou resignação) de uma presa perseguida por um grupo de predadores. Um rapaz não consegue escapar aos movimentos circulares da câmara ‚ não há saída. Podemos considerar perceber uma verdade devastadora, ou como a submissão colectiva pode levar à auto-destruição. (Karim Shimsal)
Um conto poético centrado num jovem casal que procura o seu lugar natural na Terra. É também uma história sobre a Europa e a Polónia, e o seu eterno êxodo de leste para oeste quando muitos ocidentais, como os holandeses deste filme, exactamente pela mesma razão, fazem o percurso inverso.
Não conhecer pessoalmente a pessoa do outro lado, é a regra dos sites de encontros aleatórios da net. E se alguém, um realizador, por exemplo, decidisse ir ao encontro do outro por detrás do vídeo? Uma curta-metragem sobre afinidades e interferências com a presença física de ex-desconhecidos. (Possidónio Cachapa)
Pai e filho partilham um espaço. De um lado a destreza, a experiência e o conhecimento, do outro o aborrecimento e a passividade. Controlando muito bem o espaço natural envolvente e utilizando um tempo justo, Hannon mostra um momento de ambivalência de sentimentos entre o que permanece e o que está quase a desaparecer. (Miguel Valverde)
A câmara mostra os gestos, os movimentos, os ritmos, as repetições, transformando o espaço filmado num teatro. O filme conta a vida de um bairro na cidade de Recife, no Brasil, onde o absurdo e o cómico aparecem na vida quotidiana. (Miguel Cabral)
O Som ao Redor tem um ambiente e um estado de alma próprios e instala-nos numa vizinhança de sons, imagens fortes e personagens intrigantes. Os espaços que as envolvem têm um misto de arejado com sufocante e há sempre uma presença quase fantasmagórica à espreita dentro e fora de campo. Num bairro de classe média no sul do Recife, as interacções urbanas são problematizadas: a confiança, o respeito, a autoridade. Um grupo militar vem oferecer segurança pública e paz, mas as águas estão agitadas e as relações humanas não arredam pé da complexidade ‚ ou dos instintos mais básicos que interferem com as normas. As crianças brincam às massagens em cima da mãe exausta, os adultos brincam ao amor ocasional e tentam manter-se a salvo. A arquitectura, a enquadrar a paisagem, é explorada como comentário e prenúncio de que algo já não funciona. (Ágata Pinho)
Uma animação surpreendente e encantadora, toda feita com lã. Um homem regressa ao campo de nudistas onde foi criado, para passar os últimos dias com a mãe. Acima de tudo um filme sobre a perda e a viagem interior que é feita quando se perde alguém de quem se gosta. (Carlos Ramos)
Em 1943 instalou-se uma estação de investigação de raios cósmicos no topo do Monte Aragaz na Arménia. Nos anos 1980 a respectiva equipa de cientistas embarcou num ambicioso projecto de investigação nunca concluído. Hoje o vasto complexo localizado a uma altitude de 3,500 metros alberga apenas seis isoladas pessoas.
Plano sequência nocturno que vive da inspiração dos road movies. Aqui, a paisagem da típica beira de estrada Norte Americana, transforma-se gradualmente numa paisagem construída: os néons dão lugar ao elemento humano numa instalação/performance que remete o espectador para uma nova paisagem inventada. (Rita Figueiredo)
Um jovem casal passa o dia na cama. Ele pede-a em casamento. Ela começa por dizer que não.
Tendo testemunhado as mortes da mãe e da irmã em criança, Sang-hoon cresceu com raiva e ódio do pai, responsável pelas mortes delas. A sombra do seu passado domina o presente. Certo dia conhece uma rapariga de liceu, Yeon-hee, que também atravessa um período difícil depois da morte da mãe há quatro anos. Sem perceberem como as suas vidas podem estar ligadas, Sang-hoon e Yeon-hee partilham momentos de alívio e fuga ao abuso físico e emocional e à dor que enfrentam diariamente.
Marc precisa das pedras da calçada para se mexer, porque teme pisar as linhas. Começa um tratamento para ultrapassar a sua fobia.
Quando descobre que a mãe morreu, um homem que tinha partido para França em busca de uma vida melhor regressa a Portugal. Seguimos as suas deambulações, os lugares que esqueceu. Sentimos o quão estranho se tornou aos olhos das outras pessoas. Há muito fora, ele não sabia que iria perder tudo e faz o luto à sua maneira. (Karim Shimsal)