The Tailor's Kiss

Um alfaiate solitário desespera perante as consequências da sua terrível maldição.

Lacrau

Se o Lacrau visse e a víbora ouvisse não havia quem escapulisse. A víbora é surda e o lacrau não vê, assim é e assim será, tal como o campo é calmo e a cidade agitada e o ser humano impossível de satisfazer. Lacrau procura o regresso “à curva onde o homem se perdeu” numa viagem que parte da cidade em direcção à natureza. A fuga do caos e do vazio emocional a que chamamos progresso; matéria sem espírito, sem vontade. A procura das sensações e relações mais antigas dos seres humanos. O espanto, o medo do desconhecido, a perda dos confortos básicos, a solidão, o encontro com o outro, o outro animal, o outro vegetal. Um mergulho à procura de uma conexão com o mundo. Onde partida e chegada são a mesma, mas eu não.

Lögner

Três histórias perfeitas sobre a mentira: em três episódios baseados em entrevistas documentais conhecemos o ladrão que, uma vez descoberto, argumenta ser contabilista, o rapaz que dá por si a mentir confessando um crime que não cometeu, e a mulher cuja vida tem sido uma cadeia de mentiras.

Återfödelsen

Nesta ficção científica, um vírus caiu sobre a Suécia e transforma os seus habitantes em zombies. As pessoas não infectadas isolaram-se e juntaram-se para controlar e explorar os mais fracos, os zombies. A cinematografia é dominada com mestria e faz-nos mergulhar num instante neste mundo assustador. (Miguel Cabral)

De jueves a domingo

Um fim de semana familiar é a proposta deste road-movie. Aquilo que poderia ser um momento íntimo de partilha a quatro é, contudo, manchado pela constatação de que será a última vez que estarão todos juntos. Há dois mundos no carro ‚ o banco de trás que acompanha com pequenas intromissões as nucas quase sempre em tensão dos pais, e o banco da frente que dividido a meias, tenta comunicar para trás apenas o seu lado mais positivo. Há assim, um terreno minado o qual é necessário tactear com cuidado. Quero dormir cansada frase cantada no filme, vem atestar o fim da relação, como uma balada de despedida. Embora jovem, Dominga Sotomayor segura o filme com pinças de mestre, revelando cada detalhe com doçura e emoção, criando imagens com sombras, tirando partido de luzes e da paisagem, fazendo-nos penetrar num universo familiar do qual nunca nos sentimos intrusos, nem voyeuristas. (Miguel Valverde)

Le feu, le sang, les étoiles

Reacções da juventude de esquerda ao dia seguinte às eleições ganhas por Sarkozy. Da impotência ao sobressalto, lágrimas, cólera. Como sair desta situação, fugir para onde?

Les navets blancs empêchent de dormir

Ana visita Boris em Bruxelas. Ele é um artista conceptual com uma carreira promissora à sua frente. Ela está à procura do seu lugar no mundo dos adultos, mas a sua natureza pede liberdade e festeja ainda a inocência. Há anos que se tentam despedir para que cada um siga o seu caminho e, desta vez, pode ser que consigam. Um filme poético e inspirador sobre rupturas e novos inícios. (Ágata Pinho)

L'enclave

Uma aldeia onde moradores silenciosos estão ocupados por tarefas repetitivas. Um bosque onde um bando de homens maltrapilhos parece esperar alguma coisa. E um homem, à noite, a fugir.

L'Arbitro

No diabólico caos de um jogo de futebol de uma divisão pouco importante, os destinos de dois ladrões cruzam-se a meio do caminho.

The Night of The Moon Has Many Hours

Um homem percorre o rio numa jangada. Arruma calma e escrupulosamente os corpos que encontra no seu caminho. No silêncio da noite, os movimentos repetitivos deixam-nos meditar sobre o sentido do percurso e dos gestos. (Miguel Cabral)

The Pub

Não há sítio mais mundano que um pub. Toda a gente o frequenta para dois dedos de conversa e uma bebida. Joseph Pierce capta todos os detalhes, físicos e psicológicos, dos clientes diários de um pub londrino e exagera-os de uma forma mordaz e divertida. Uma animação grotesca que é também uma sátira social. (Carlos Ramos)

The Great Rabbit

Um coelho é o grande líder, adorado misteriosamente e em silêncio. Uma animação enigmática e mágica feita de desenhos delicados e movimentos suaves. Uma acção em loop que pode ser lida como uma metáfora sobre a complexidade do mundo e as relações de poder. E tu, acreditas no Grande Coelho? (Carlos Ramos)

Jour après jour

Retrato de um rapaz. Vive com a namorada. É canalizador e tem que fazer uma intervenção numa piscina. Trabalha, anda por ali, e trepa onde pode.

Le facteur humain

Com uma vertiginosa utilização de imagens institucionais do colectivo americano do século XX, este filme devolve uma história que remonta ao tempo do Taylorismo, através de uma troca de cartas entre marido e mulher. À medida que a experiência empírica da teoria parece falhar na fábrica, o termo reorganização parece aplicar-se à economia doméstica. (Miguel Valverde)

The Color Wheel

Uma relação de amor-ódio entre dois irmãos adoráveis que simplesmente não conseguem estar calados. Ao mumblecore constante, característico do cinema americano independente, junta-se o sarcasmo e o nervosismo neste filme de viagem que assinala a fuga de Colin com a sua irmã, J.R.. Eles pernoitam em motéis, fingem ser marido e mulher, visitam ex-namorados de J.R. para recuperar coisas dela e invadem festas de amigos do liceu. A ironia e o cinismo disfarçam a vulnerabilidade que eles não conseguem esconder um do outro. Os diálogos frescos e dinâmicos que trocam traduzem uma química verbal e não verbal intensa, pronta a desmembrar tabus e a questionar regras morais. (Nina Veligradi)

Kempinski

Kempinski é um lugar místico e animista. As pessoas emergem do escuro, com lâmpadas fluorescentes na mão; falam de um mundo mágico. “Hoje temos um centro espacial. Em breve enviaremos satélites para órbita, o que nos permitirá ter muito mais informação sobre outras estrelas”.

It's Nick's Birthday

Musical amador filmado em Super 8mm. Na véspera dos seus 30 anos, um plebeu de supermercado tenta forjar uma ligação profunda com uma beldade volúvel. Da melancolia em que se encontra emergem uns desses breves e ilusórios momentos em que tudo parece correr bem.

Les Dimanches

O que se pode fazer no único dia da semana em que nada se passa? Os domingos são armadilhas de onde a imaginação é a única forma de sair. Ouvir ópera na máquina de lavar louça ou recriar uma missa num espaço já de si transformado, são hipóteses válidas, quando se está só e aborrecido. (Possidónio Cachapa)