A expedição Kon-Tiki ‚ encabeçada pelo norueguês Thor Heyerdahl através do Oceano Pacífico, da América do Sul até à Polinésia, em 1947 ‚ inspira, vinte e dois anos depois, quatro amigos a construir uma jangada modesta que os leva a viajar pelos rios Zêzere e Tejo, partindo da foz da Ribeira da Sertã até à cidade de Lisboa. Esse Verão de 1969 foi mencionado no Diário Popular e hoje, quarenta anos depois, o filho de um dos aventureiros escreve um livro de poemas que associa à descrição dessa viagem um elenco tipicamente português da literatura de viagem dos séculos XVI e XVII. O filme é a reprodução deste episódio, num documentário-performance que funciona como prática da poesia com direito a jangada fluvial, um recital sobre as águas e uma homenagem a outra homenagem que une gerações e evoca o espírito explorador dos Descobrimentos.
Em O Berço Imperfeito, Fábio passa os dias em casa a escrever, no seu berço, e é fruto de admiração por parte de Catarina, sua amiga de infância. A cumplicidade entre os dois lê-se entre os silêncios e a amizade será posta à prova quando ele decide escrever um romance.
Fora a vida familiar, Fernanda, Sylvia e Anna passam 16 horas por dia a trabalhar como empregadas de mesa num restaurante situado nas docas de Lisboa. Perante uma paisagem de crise, elas lutam para manter os seus empregos, enquanto os homens abandonam o trabalho para entrar em greve.
Azulejos representa Lisboa antes do terramoto de 1755, um poema de Pessoa, uma guitarra tocada no ar por Mario Trovador, um pássaro que voa… um olhar poético sobre Portugal hoje.
Avec Jeff, à moto conta a história da jovem Nydia, cuja rotina monótona é interrompida quando aceita andar de mota com Jeff, um colega de turma misterioso.
Os talentos e sabedoria de Martin Borges, um velho jogador de dominó e snooker, que também é um filósofo a tempo inteiro. Vamos descobrindo um lugar fora do tempo, onde ele nos convida a uma meditação sobre a felicidade e a vida, a solidão e a morte.
Um retrato caloroso do arquitecto Manuel Vicente, recentemente falecido, numa visita guiada por Manuel Graça Dias aos locais em Macau onde a sua obra perdura. A minha intenção foi deambular com uma pequena equipa nesta Macau de Manuel Vicente e nesta promenade cheia de particularidades, muita comida, palavras e gargalhadas à mistura, deixar o homem aparecer. E, pouco a pouco, foram encontrando e descobrindo os traços que caracterizam a sua arquitectura em Macau. Lugar oriental de feição portuguesa, ou português de feição oriental. Ou lugar que quisemos redescobrir neste documentário, a partir dos acontecimentos que Manuel Vicente desencadeou naquele território. Assim, de câmara às costas, fomos atrás de MGD, e juntos fomos desocultando, revelando, mostrando a Macau de MV, e sobretudo, passeando e deambulando pela cidade com ele, como um flannêur (Rosa Cabral).