Paradies: Hoffnung

Ulrich Seidl

, Ficção

Meli não parece muito contrariada por passar as férias num campo para jovens obesos. Afinal de contas, são adolescentes que se divertem como todos os outros, a beber e fumar às escondidas dos adultos, a jogar ao bate-pé. A mãe, Teresa, que está num resort no Quénia, tenta ligar-lhe várias vezes mas nunca tem o telefone ligado quando Meli, que só tem uma oportunidade por dia para o usar, lhe liga. As aborrecidas rotinas de disciplina e exercício físico são amenizadas pelas visitas ao gabinete do médico do campo, por quem Meli começa a apaixonar-se. Os cerca de 40 anos que os separam não impedem o homem de se aproximar mais do que devia de Meli, apesar de estar num permanente conflito interno. Se são desconcertantes os planos em que se olham, quase despidos, há uma brandura na demonstração do amor, uma quase cumplicidade. No universo de Seidl, até o inaceitável parece compreensível. (M. M.)