A Escuta

Um filme dedicado à carreira do violinista, improvisador, instrumentista e compositor Carlos “Zingaro”, um dos nomes mais importantes da música experimental portuguesa, bem como uma das grandes figuras da música improvisada europeia.

Jack Plays Trombone at the Underground Station

A cineasta Inês Oliveira vai buscar a canção à maquete dos Rollana Beat de 1998 e transporta-a, subvertendo-a, para o abrigo quente mas populoso do metropolitano de Londres durante o Blitz de 1940-1941. Enquanto as sucessivas imagens a preto e branco relatam a possibilidade de concórdia por baixo da terra e dos bombardeamentos nazis, o riso nervoso da voz que persegue Jack devolve-nos a neurótica e instável realidade.

O Sapo e a Rapariga

Adaptação da realizadora Inês Oliveira do conto tradicional português O Sapo e a Rapariga. A lavandaria está fechada e uma jovem (Rita Cabaço) tem de aprender como se lava a roupa à mão com a sábia Deolinda (Isabel Ruth), que lhe conta uma estranha história de encantar.

Bobô

Bobô é um filme cuja narrativa parte do encontro de duas mulheres, Sofia e Mariama. O motor do filme é a sinergia criada entre ambas na defesa de uma criança. Sofia, a protagonista do filme, é uma personagem que vive presa nas sombras da sua infância, no peso da sua herança”, das quais é urgente libertar-se. Mariama aparece como um alguém ligado também à sua “herança”. Ela segue as regras que a sua pertença exige, mas num determinado momento vê-se obrigada a desobedecer para mudar o destino da pequena Bobô e evitar que esta seja submetida à mutilação genital feminina (MGF). As personagens Sofia e Mariama foram redesenhadas com as atrizes Paula Garcia e Aissatu Indjai (estreante neste filme), que muito puseram das suas vivências, personalidade e convicções. Fizemos um trabalho de investigação, de leituras, trabalho no terreno junto da comunidade emigrante guineense, de ensaios. Esta preparação permitiu-nos uma rodagem segura e por isso com espaço para o improviso. Penso que Bobô é um filme com uma óptica e lógica interna sem dúvida feminina, mas aqui o feminino não está, como tantas vezes é retratado, no campo do que é terreno e tangível. Está sim perante as questões que nos transcendem: a relação com a morte, com as regras do Mundo, com o que não conseguimos denominar. (Inês Oliveira)