Hard, Cracked the Wind

Mark Jenkin, que venceu em 2019 o prémio do público para melhor longa metragem do festival (Bait), faz agora um filme sobre o poder assombrado da criação. Uma jovem poeta encontra uma mala com as suas iniciais. Lá dentro um fantasma que procura quem lhe termine um poema.
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Uma mala, um poema, personagens que transitam em acasos, e projecções, num jogo de espelhos e coincidências (a mala é responsável). Os fantasmas acordam e a narrativa compõe-se, fragmenta-se, destrutura-se, enquanto sinais duma maldição emergem e multiplicam-se neste drama negro. O contágio está na criação, está na maré do ‘‘vento’’ que açoita os planos, pelo olhar sedutor de Jenkin que talha e retalha esta inquietante e cortante narrativa, black and white. (Carlota Gonçalves)

 

Onda de Calor

No meio de uma onda de calor louco, duas crianças encontram uma maneira de refrescar toda a gente! Um divertido filme de stop motion, animado numa técnica híbrida de recortes, animação de volumes e marionetas.

 

Her Name Was Europa

A dupla Dornieden e Monroy, também conhecida por OJOBOCA, trabalha a ficção e a fábula a partir de argumentos científicos. Aqui essa base é a investigação sobre o auroque, uma espécie de bovino selvagem, primeiro caso documentado de extinção no séc. XVII. Com recurso a película em 16mm e uso inventivo do som, o desaparecimento e a tentativa de recuperação deste mítico animal é o ponto de partida para uma relação com uma também mítica noção de Europa.  

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O Auroque ou Uruz é uma espécie do gado bovino selvagem que habitou regiões da Eu­ropa, Ásia e norte de África. É considerado o antepassado do atual gado doméstico e é o primeiro caso de extinção a ser documentado, como consequência da elevada caça à espécie e da introdução do gado moderno. Acredita-se que o declínio e extinção dos últimos Auroques selvagens se verificou em 1627 na floresta Jaktorów, Polónia. Apesar de o Auroque ser considerado fonte para alimento, distingue-se pelos seus traços físicos como a força, velocidade, resistência e coragem. Contudo, estes traços físicos in­terligam-se com poderes simbólicos, derivados de uma superstição associada a certas in­tegrantes do animal. Elementos como a pele do crânio e um osso em forma de cruz perto do coração eram cobiçados pelas suas propriedades mágicas e sobrenaturais.

Her Name Was Europa, primeira longa-metragem de Juan David González Monroy e Anja Dorniden explora, com um olhar clínico, as tentativas modernas de ressuscitar o Auroque da eterna extinção. (Inês Lima Torres)

Este filme não é falado e nem legendado em inglês.

Herdeiros de Saramago – Adriana Lisboa

Os documentários Herdeiros de Saramago, da autoria de Carlos Vaz Marques, são dedicados aos escritores que venceram o prémio Saramago criado em 1999. Nesta sessão poderemos ver quatro deles, sobre a carreira e vida de João Tordo, Adriana Lisboa, Paulo José Miranda e Ondjaki. O olhar delicado e atento ao detalhe de realização de Graça Castanheira permite-nos entrar no quotidiano dos artistas, e viajar das palavras escritas às palavras ditas.
Este filme não é falado e nem legendado em inglês.

Herdeiros de Saramago – João Tordo

Os documentários Herdeiros de Saramago, da autoria de Carlos Vaz Marques, são dedicados aos escritores que venceram o prémio Saramago criado em 1999. Nesta sessão poderemos ver quatro deles, sobre a carreira e vida de João Tordo, Adriana Lisboa, Paulo José Miranda e Ondjaki. O olhar delicado e atento ao detalhe de realização de Graça Castanheira permite-nos entrar no quotidiano dos artistas, e viajar das palavras escritas às palavras ditas.
Este filme não é falado e nem legendado em inglês.

 

Herdeiros de Saramago – Ondjaki

Os documentários Herdeiros de Saramago, da autoria de Carlos Vaz Marques, são dedicados aos escritores que venceram o prémio Saramago criado em 1999. Nesta sessão poderemos ver quatro deles, sobre a carreira e vida de João Tordo, Adriana Lisboa, Paulo José Miranda e Ondjaki. O olhar delicado e atento ao detalhe de realização de Graça Castanheira permite-nos entrar no quotidiano dos artistas, e viajar das palavras escritas às palavras ditas.
Este filme não é falado e nem legendado em inglês.

Herdeiros de Saramago – Paulo José Miranda

Os documentários Herdeiros de Saramago, da autoria de Carlos Vaz Marques, são dedicados aos escritores que venceram o prémio Saramago criado em 1999. Nesta sessão poderemos ver quatro deles, sobre a carreira e vida de João Tordo, Adriana Lisboa, Paulo José Miranda e Ondjaki. O olhar delicado e atento ao detalhe de realização de Graça Castanheira permite-nos entrar no quotidiano dos artistas, e viajar das palavras escritas às palavras ditas.
Este filme não é falado e nem legendado em inglês.

 

Brincar às Escondidas

Por detrás de um jogo infantil, uma história sobre a percepção do tempo. Para ganhar o jogo, o menino torna-se num velho e a sua vida, um jogo de escondidas. Visões poéticas que surgem a partir de memórias de infância e tocam os adultos.

 

Hot and Tasty

Quem nunca no final de uma noite de copos começou a sonhar com comida? E quanto mais gordurosa melhor, certo? A animação de conclusão de curso de Laura Hodkin é sobre uma dessas noites em que o primeiro crime é o nutritivo. 

 

Quanto Pesa uma Nuvem?

Um cientista está ocupado a observar as nuvens. Conta quantas são, mede a distância destas ao solo, pesa a água de que elas são feitas. Mas de repente tudo muda, quando surge uma nuvem que não corresponde àquilo que registou.

 

O Hugo e o Holger

Hugo sempre quis ter um cãozinho. Um dia conhece Holger e o seu sonho concretiza-se. Mas afinal Holger não é um cão mas sim um elefante bebé. Um filme sobre a amizade e sobre o mundo de brincadeira e descoberta através dos olhos de uma criança.

 

I Am (for the Birds)

Na sua secretária na biblioteca Brynmor Jones, o poeta Philip Larkin tinha uma fotografia de Guy The Gorilla, atracção no zoo de Londres. Esta breve colagem de Sutcliffe é uma meditação acerca do trabalho e da forma como este pode ser uma prisão.

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Guy era um gorila famoso no Zoo de Londres pela sua disposição gentil e por receber doces dos visitantes. Aqui, a sua vida interior é talvez mais semelhante à de um detetive de algum filme noir de uns anos oitenta repletos de solos de saxofone, que comenta de forma vaga a experiência humana. Um contraste capaz de causar um sorriso no mais empedernido dos rostos. (Ana Cabral Martins)

 

Diferenças

Um filme sobre os pensamentos e sentimentos de uma mãe que tem um filho com deficiência mental. Enquanto ela se move com ele no dia-a-dia, os seus sentimentos ambivalentes e a sua luta para o aceitar fazem-lhe frente.

 

Ink in Milk

A existência é uma complexa teia de acontecimentos trágico-cómicos. Tudo se liga com tudo. Um trauma de escola, uma visita a um amigo numa instituição psiquiátrica, diagramas infantis, desenhos com tinta, filmes super 8 e esculturas de plasticina e madeira.
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Na construção das memórias de infância não é necessário obedecer à lógica da idade adulta. A memória não tem de ser verdade factual, pode ser poética, afectiva e absurda. Como tinta derramada no leite, as imagens formam-se numa mistura líquida que evoca uma dança. As ideias vão surgindo sobrepostas em desenhos, gráficos, rabiscos e esculturas, que reproduzem com extraordinária liberdade artística um universo infantil onde o sujeito tem ainda poder para criar a sua própria narrativa. (Margarida Moz)

Isabella

Como acontecia com Éric Rohmer, que sempre gostou de trabalhar por séries de filmes, também Piñeiro tem-se dedicado àquilo que chama de “Shakespereadas”. Filmes que adaptam comédias do dramaturgo inglês às relações de uma geração contemporânea jovem. Aqui a peça é Medida por Medida e no seu centro está um mosaico preciso, de temporalidade não linear, em que as escolhas profissionais e pessoais da actriz Mariel (María Villar) são postas em equação.
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Os filmes de Piñeiro são como ele próprio: sóbrios, elegantes, distintos e especiais. Isabella, nome de uma personagem de Shakespeare, é a aspiração de Mariel que quer representá-la mas tem dificuldade em concentrar-se por problemas financeiros. O filme nunca é simples na sua construção e o espectador é convocado para deslindar as inúmeras possibilidades de narrativa que cada plano nos dá. Assim, quem olha o quê, como na magnífica entrada em que vemos uma pessoa ao fundo de um pequeno cais e vamos rever este plano mais vezes e de diversas formas. No cinema de Piñeiro as personagens tomam as dores de quem querem representar como se a vida não passasse de um jogo de representação, o que significa um pensar fino e crítico sobre a sociedade contemporânea. Não é à toa que aproveita o universo shakespeariano dos grandes temas para estabelecer um ponto universal comum, para depois ter liberdade de falar do que lhe interessa. O seu grande poder é tornar as coisas simples e cheias de significado. (Miguel Valverde)

 

Keyboard Fantasies: The Beverly Glenn-Copeland Story

Beverly Glenn-Copeland escreveu e lançou, a partir do seu estúdio caseiro em Huntsville, Ontario, o álbum de folk eletrónico Keyboard Fantasies em 1976. Apesar de inovadora em muitas das sonoridades a cassete caiu no esquecimento. Três décadas depois, graças à cortesia de um colecionador de raridades japonês, o disco foi reeditado e conheceu finalmente o seu público. E eis que, o agora músico Glenn-Copeland, começa a sua primeira tournée aos 74 anos.
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Keyboard Fantasies não é o disco mais óbvio – nem mesmo para apreciadores de um espectro de música entre a folk e a ambient. Ouçamo-lo de uma ponta à outra, com menor ou maior atenção, e pouco saberemos dizer sobre Beverly Glenn-Copeland. A delicadeza do jogo de beats, os silêncios, a sua voz terna – nada disto nos diria que Beverly era um rosto da luta pelos direitos LGBT no Canadá dos anos 70, uma era em que sê-lo era um crime punido por lei. Da sua música, poderíamos dizer que nos cativa pelo equilíbrio, também ele espelhado na forma como nos revela a sua história de vida e da sua música, através de um disco reconhecido apenas três décadas depois da sua primeira edição. Uma história de luta, coragem e de sabedoria espiritual: a constante renovação de nós próprios (“We are ever new”). (Filipa Henriques)

 

La Leyenda Negra

O ano passado a curta The Hood de Patrícia Delgado esteve em competição nacional no IndieLisboa. A realizadora portuguesa, sediada em Los Angeles, estreia-se agora no formato longo, com esta história de crescimento de uma jovem estudante latina, Aleteia, que procura prosseguir os seus estudos universitários. Com estilo realista e olhar atento esta é também uma visão sobre o momento tenso da política americana e as divisões existentes na comunidade hispânica.

 

Laniakea Supercluster

Laniakea Supercluster é um superaglomerado de galáxias que contém a nossa Via Láctea. Neste filme-viagem, ora melancólico, ora inquietante, avançamos musicalmente pelos elementos que somos. O animal, a água, o céu, manequins e pedras quebradas.